artigo: Janeiro 2005

XÔ!!!! BAIXO ASTRAL
Bom humor, mau humor ... aprendido ou herdado geneticamente?

NIELSE MALUF

“Os analfabetos do séc. XXI serão aqueles que
não desenvolverem sua capacidade
de aprender, desaprender e reaprender “.
(A Toffler)

Humor é herança transmitida pelos pais”, manchete de um artigo publicado em 15/07/2004, na “Folha On Line - Equilíbrio”, da Folha de São Paulo, dizia:

”Assim como a cor dos olhos ou a estatura, o humor é uma herança transmitida pelos pais.
Mas o estado de espírito não depende só dessa influência imutável, que é a genética. Também está relacionado à educação recebida na infância. Pais que vivem reclamando de tudo e acham que nada dará certo, por exemplo, transmitem esse humor aos filhos.”

A velha, mas sempre atual, briga entre as determinações genéticas e as determinações ambientais. A maior parte dos cientistas concorda que a genética pré-dispõe, mas não determina traços de personalidade ou de caráter, o que coloca sobre as questões ambientais o peso da responsabilidade do aparecimento de determinado “jeito de ser”. Porém, em se tratando de genética e ambiente, saber quem exerce mais influência em quem, continua sendo o grande mistério que define nossa condição humana, tão universal e ao mesmo tempo tão única.
No mesmo artigo, temos outra constatação:

“Estado de espírito também é uma questão cultural. O psicólogo Richard Weisman, da Universidade de Hertfordshire (Reino Unido), provou a tese em um estudo. Ele disponibilizou um site para descobrir a melhor piada do mundo. Recebeu mais de dois milhões.
Adivinhe quem ganhou a brincadeira. Um inglês. E o pesquisador chegou à conclusão de que o senso de humor varia geograficamente -e muito. Para entender por que, veja a piada vencedora: dois caçadores estão na floresta e, de repente, um se sente muito mal e cai. Sua respiração pára e ele fica pálido. O outro liga imediatamente para o hospital e pergunta o que fazer. O médico atendente informa que, primeiro, é preciso ter certeza de que o amigo está mesmo morto. O doutor, após um silêncio, ouve o som de um tiro, e o homem volta ao telefone dizendo:” OK, agora tenho certeza de que ele está morto. E agora, o que faço?". Provavelmente a piada não faria sucesso aqui.”

Se não fosse suficiente a complexidade da determinação do humor, tendo em vista que ele sofre influências de variáveis genéticas, ambientais e culturais, recentes pesquisas em neuropsiquiatria trazem o conceito de “sopa emocional”, conforme citado por Goleman, Boyatzis e Mckee no livro “O poder da inteligência emocional”, que é o resultado da regulação límbica onde as pessoas “pegam” emoções umas das outras. Através de um fenômeno denominado “loop aberto”, pode-se comprovar que as pessoas emitem sinais que podem alterar os níveis hormonais, a função cardiovascular, o ritmo do sono e até a função imunológica do corpo da outra. Os efeitos do contágio das emoções são bastante conhecidos na prática, mas só agora temos o respaldo da ciência.

Portanto, o humor é passível de ser contagioso. O resultado é que a regulação límbica acaba por deixar as pessoas que têm convívio próximo, com o mesmo “gosto, cheiro e jeito”. Não é difícil de imaginar seus efeitos em casais e nos ambientes de trabalho. Líderes despóticos, que com berros, caras feias e desrespeito, acabam por contaminar toda uma equipe, talvez não alcancem o efeito devastador que seu “vírus” do mau humor provoque na produtividade, criatividade e motivação de seus liderados.

Frases como “Meu chefe me deixa mal”, “meu marido, ou minha mulher, me deixa doente” já perderam sua classificação de retóricas, uma vez que hoje, podemos afirmar que as pessoas podem adoecer através das relações, assim como podem adoecer as relações. Talvez neste ponto a genética nos ajude a entender porque algumas pessoas são mais vulneráveis a se deixar contaminar pelo humor da outra, enquanto outros parecem exercer um verdadeiro poder de contaminação nas demais pessoas.

No entanto, o mesmo é válido para tornar as pessoas e as relações mais saudáveis, pois todos podem contaminar a todos também com emoções positivas. Logo, está na mão de cada um fazer o convite ao BOM humor. Como? Só há um caminho: sendo bem humorado.

Para quem já desfruta deste privilégio, está fácil. Para os intitulados mal humorados, há duas possibilidades: ou são os portadores de “distimia”, um quadro psiquiátrico que merece atenção medicamentosa, ou são pessoas saudáveis que certamente tiveram anos de treinamento neste personagem “mal humorado” , e quando se representa anos a fio um mesmo personagem, corremos o risco de acreditar nele, e viver uma identidade limitada pelo papel que viciadamente repetimos.

Disse Aristóteles: “Somos o que repetidamente fazemos”. Portanto ser bem ou mal humorado também pode ser um hábito.

Se você faz parte do grupo dos mal humorados, e ainda não se convenceu dos benefícios de mudar de hábito, lá vai outro bom motivo para perseguirem o bom humor: é que a ciência já provou que mal humorados têm mais problemas de saúde, pois tendem a liberar mais cortisol, hormônio dos estressados, que é o responsável pelo estrago causado no sistema imunológico.

Aos que são crentes nas determinações genéticas, e as usam como justificativa para manterem-se aquém do seu potencial de felicidade, cuidado! Podem estar sofrendo da “Síndrome de Gabrielice”, e assim mantêm sua passividade através de uma série de sintomas reconhecidos através de uma música, lembram-se? “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim... Gabrieeeeela...”.

Mesmo que você tenha crescido assim, você não está condenado a ser SEMPRE assim...

Disse Charles Chaplin: “Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão ....pois o triunfo pertence a quem se atreve.... e a vida é muito para ser insignificante”.

E eu diria: “Atreva-se a mudar....pois a vida é muito para ser desperdiçada com mau humor”.

Veja a programação da Oficina: Eu, Tu Eles...

 

 

artigo: Setembro/2004

OS SINS QUE SIM NÃO SÃO
Artur da Távola
Texto parcial

O não é sempre mais íntegro que o sim em nossa sociedade de aparências. Tememos o Não e vivemos cercados de sins, que Sim não são. Sim é só uma palavra. Mas nem tudo que é Não é Sim. E a gente pensa que, o que não é Não, Sim é. O Sim verdadeiro é tão decidido e íntegro como o Não. Mas raramente os nossos sins, Sim são.
Por temor, usamos vários sins no lugar de Não.

Por que o Não, que é negação, traz sempre mais força do que o Sim, que é aceitação ? Vejamos o caso da autoridade. Tem-na, sempre, quem tem o poder do Não. Teme-a, quem teme ouvir o Não.

O medo de dizer Não levou as pessoas a dizer sins que Sim não são. Tornou poderosos os restritivos, os castradores. Deu força aos repressores... Eles ficaram odiados, mas respeitados. Os agentes do Sim ficaram amados, mas nem sempre respeitados. Não é injusto ?

É preciso restituir ao Sim o prestígio e a autoridade desfrutados pelo Não. O Sim só deve existir quando for filho da decisão e da convicção.

Dizer sim, quando se quer dizer Não ou não-sim, é um ato de covardia que nos fará sofrer, no dia em que o Não engolido vier à tona, sob a forma de irritação, agressão ou desamor.

Há certas imposições ou talvez conceitos doentios do dever, que nos obrigam a dizer Não onde, se não havia o Sim, havia, pelo menos, a vontade do Sim. Exige energia e vigor para agüentar a frustração do Sim impossibilitado de viver e arrostar as antipatias e falsas idéias de rejeição traduzidas pelo não que se disse no lugar do Sim.

O Não é sempre melhor que o talvez. Este é uma promessa de Sim, jamais uma expectativa do Não. O espaço entre o Sim e o Não não é o talvez. Não há palavras para o definir, mas Talvez, não é.

Temos que aprender a coragem do Não sem mistura-lo com ofensa, desamor ou rejeição. Temos que aprender também o que é não-sim. E temos que fugir do Sim que esconde nãos. Só então encontraremos a verdade dos nossos sins. Sim é para ser Sim. Não é para ser Não. Trocá-los entre si ou por talvez é doentio. Sadio está quem sabe o Sim e o Não.

Quem dividir o mundo apenas entre o Sim e o Não, porém, vai operar sempre sobre a fraqueza dos demais. Os fracos sempre dirão sim quando houver medo de dizer Não. O Sim deles jamais terá a força dos Sins verdadeiros. Estes, aliás, estão muito mais perto dos nãos que dos sins falsos. Os fracos também dirão Não quando tiverem medo do Sim.

Mas é preciso que Não seja Não e Sim seja Sim. Por isso Não e Sim jamais devem ser invocados a todo instante, a pretexto de qualquer impulso, vontade ou intenção. Deixemos-los para as decisões fundamentais. Sim ou não ?

Veja a programação da Oficina: Eu, Tu Eles...

 


artigo: Julho/2004

A Gemma traz a publicação “Voz de Comando” de Maruska Freire Rameck, que afirma:

''A mulher ainda não encontrou sua voz de poder''

É o que mostra sua tese de doutorado 'Dinâmica da voz e do gênero: uma questão de poder'. Ela comparou a voz de executivas com a de profissionais liberais e donas-de-casa. 'Não é uma questão de falar alto ou baixo, mas do modo como se fala. Elas reproduzem a voz que a sociedade identifica como um modelo de poder', afirma.

VOZ DE COMANDO

Publicado na REVISTA UPDATE , 385 - Agosto de 2002
Baseado na tese de doutorado da fonoaudióloga Maruska Freire Rameck
Reprodução parcial

 

Executivas ‘falam como homens’ para se impor e obter respeito no ambiente de trabalho, mostra estudo.
Para alcançar sucesso e obter respeito em postos de comando, no entanto, as mulheres procuram não apenas demonstrar desempenho, qualificação e competência iguais ou até superiores aos de seus confrades, mas também “falar como homem”.

Segundo a Harvard Business Review a capacidade de comunicação, veiculada pela voz, é hoje considerada a qualificação mais importante para a ascensão profissional de um executivo. “Os administradores costumam despender até 89% de seu tempo de trabalho se comunicando. Isso dá bem a medida da relevância do uso da voz por homens e mulheres nas organizações”, diz a especialista.

Ela obteve em sua pesquisa a “imagem” da voz das 16 executivas que pesquisou e pôde medir os matizes de seu timbre, entonação e intensidade. A especialista concluiu: na função profissional as executivas procuram mimetizar o padrão vocal de homens em postos de comando como uma estratégia de credibilidade e poder. Esse padrão, também se caracteriza pelo ritmo acelerado, pelo agravamento da voz, em tom condizente com a fala assertiva e firme, pela entonação descendente, típica dos discursos autoritários, e pela predominância de pausas curtas, no sentido oposto aos discursos de hesitação. Esses “marcadores” de fala são usualmente relacionados a qualidades consideradas viris, como liderança, autoconfiança, objetividade e agressividade. Muitas vezes, em outras situações, como com o marido e os filhos em casa, essas mesmas mulheres podem apresentar um padrão de voz mais agudo, interpretado como meigo ou “feminino”.

“O uso da voz pode ser construído socialmente e costuma refletir o modelo patriarcal que impera na sociedade.”
Na parte prática de sua pesquisa, Maruska comparou a voz das executivas com a de outras 16 mulheres na mesma faixa etária (em torno de 40 anos) e também com escolaridade superior, mas que não ocupam posições de comando. “As executivas acomodam sua expressão vocal aos estereótipos de comando usados pelos homens em suas funções. Já no segundo grupo encontrei com mais freqüência matizes comumente relacionados a comportamentos de fragilidade ou submissão, associados ao comportamento feminino”, conta.
Segundo Maruska, a voz pode transmitir verdadeiras “metáforas sonoras” para além das palavras, figuras que estabelecem uma correlação entre o som e o sentido do que é dito. Por sua inflexão ou intensidade, pode-se depreender fatores como idade, estado emocional ou status social de alguém. “Poder e prestígio tradicionalmente foram atribuídos aos homens, dentro e fora das empresas. A mulher que os desfruta acaba adaptando também o seu comportamento vocal ao dos homens, com o intuito de afirmá-lo e reproduzir metáforas sonoras de comando”, afirma.

Apesar de ser naturalmente conformada por fatores anatômicos, hormonais e mesmo psíquicos, a voz pode ser moldada ou “acomodada” segundo uma estratégia de atuação em determinado meio. Em suma, é possível alterar o seu “estilo” visando a determinados fins. “Existe uma forma de usar a voz relacionada ao prestígio latente do falante, e é esse modelo vigente nas corporações que as executivas procuraram incorporar e interiorizar.”

Veja a programação da Oficina: FALA EM FOCO - Desenvolvendo as competências da FALA